segunda-feira, 28 de maio de 2012

Desafios pela frente...


Emprego novo, desafios novos, medos nada novos... Esse medo do desconhecido, friozinho na barriga, ansiedade. Meu primeiro emprego como assistente social. Tudo o que eu almejei depois de 6 anos de faculdade. Responsabilidade que vem acompanhada pela responsabilidade.
Fiquei ansiosíssima quando vi meu nome naquela pequena notinha de jornal que por pouco não me passou despercebida - "Edital de Citação". Mais ansiosa ainda quando finalmente descobri onde iria trabalhar: CREAS POP Rua, no atendimento a pessoas em situação de rua. Comentei com algumas pessoas que teria muito a estudar. A reação de algumas delas me surpreendeu: "Estudar pra trabalhar com pessoas que vivem na rua? Pra quê?"
Hoje, quando iniciei, tive minha resposta para dar para essa pergunta impertinente. Estudar para compreender, para não julgar, para tentar me livrar de pré-conceitos. Estudar para entender o que tenho que fazer e de que forma devo agir para tentar fazer algo por essas pessoas. Vale reproduzir um poema que li. O autor é um juiz. Ele escreve sobre o direito das pessoas de escolherem a rua como seu lar. Não sei ainda se concordo ou discordo, só sei que o texto me fez pensar:


Quero o direito ao inferno!


Aos “nóias” de todas as cracolândias do mundo!


Gerivaldo Neiva *


Queria peitos,

leite

beijos

colo

carinhos

afagos

brinquedos

folguedos

casa

comida

escola

ar puro

cultura

esporte

prazer

alegria

trabalho

liberdade

vida

vida plena e abundante...


Recebi, sem pedir,

fome

tapas

cascudos

murros

violência

solidão

medo

favela

periferia

esgotos

fedor

bola de pano

barraco

descaso

desprezo

abandono

promessas

exclusão

gozação

prisão

faca

revólver

morte

morte por todos os lados...


Quis e não tive.

Não quis e me impuseram.

Agora é tarde e nada me serve mais...

Devolvo,

aos que me deram,

tudo o que me deram

e que não pedi.


Eu,
(se é que ainda Sou),

sem mais nada,

não quero e nem peço mais nada.

Não quero a paz,

não quero a vida,

não quero direitos,

não quero ser salvo,

não quero o céu e nem o paraíso...


São canalhas os que querem me salvar!

São canalhas todos os bons!

São canalhas todos os santos!

Não quero ser salvo por canalhas!

Fodam-se os canalhas!


Ora, se não se autodetermina quem não é,

também não se pode,

quem quer que seja,

determinar sobre quem já não é mais.

É tarde e Inês é morta!


Agora, quero apenas meu corpo,

quero tudo o que for impuro,

quero tudo o que fede,

quero o lixo e as sarjetas,

quero todas as feridas,

quero morrer de overdose,

quero ir para o inferno!


A rua é meu inferno.

Os outros são o meu inferno.

O mundo é meu inferno.

O inferno é o meu inferno!

Eu sei o caminho das pedras!

Deixem-me....



* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), em 24.01.2012. - Disponível em:<http://denisbraga1000.blogspot.com.br/2012/01/quero-o-direito-ao-inferno-poema-do.html>. Acesso em 28 mai. 2012.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A educação brasileira grita por socorro!

O Pioneiro de hoje divulgou que o RS é campeão em repetência: http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3760571,157,19615,impressa.html

Não defendo a repetência, e concordo que os dados são preocupantes, mas me inquietam muito mais aqueles alunos que são aprovados ano após ano sem o conhecimento necessário e que, muitas vezes, chegam até a universidade "mal sabendo ler e interpretar um texto". Realmente, a educação brasileira pede socorro.
Vejo cada vez mais os professores com a obrigação de aprovarem alunos porque, para reprovar, precisam comprar brigar homéricas com a secretaria de educação e afins. Claro, existem casos e casos, mas não vejo como avaliar a reprovação fora do contexto de uma escola que grita por socorro em todos os sentidos. "E agora, quem poderá defendê-la?" Quem serão os Chapolins da vez? Não tenho respostas, mas penso que as políticas sociais deveriam ser mais voltadas ao concreto, preocupando-se mais com as pessoas e menos com números.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pedestres x carros

Essa semana, no Pioneiro, li uma crônica que falava sobre os motociclistas no trânsito.
Sério, eles me preocupam, mas o que mais me apavora são os pedestres. Tem gente que parece que faz mágica: aparece de repente na frente do carro, sem aviso prévio. Crianças até vai, mas muitos adultos pensam que rua é igual à calçada. Mil olhos é pouco para dirigir em Caxias...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ah, o outono


Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Depois de 2 anos...

Como não consigo palavras melhores, vou me apropriar destas de Fernando Pessoa:


"Amo como o amor ama. 
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. 
Que queres que te diga mais que te amo, 
Se o que quero dizer-te é que te amo?" (Fernando Pessoa)


Que este seja apenas o início de uma longa jornada....

quinta-feira, 22 de março de 2012

Nem tudo é o que parece

Hoje uma amiga, a Lucilene, me enviou um e-mail que me fez pensar. Ela, como boa nutricionista que é, possui preocupação com a qualidade da alimentação de modo geral, divulgou fotos de produtos alimentícios fotografados para propagandas e, em seguida, os mesmos produtos na mesa do consumidor (ou seja, nós). Pizzas, hamburguers, panetones, chocolates... incrível como tudo é tão perfeito e apetitoso na propaganda. entretanto, ao comprarmos aqueles mesmos produtos, constatamos, por exemplo, que as pizzas não possuem tantas azeitonas e que os panetones quase não contêm as tão vistosas frutas cristalizadas - as quais, aliás, jorram como água nas propagandas do produto. 
Impressionante o quanto nos deixamos enganar e seduzir. Comemos aqueles produtos com os olhos (eu praticamente já engordo só de olhar...). 
Acreditem: os únicos imperfeitos somos nós, os consumidores. Existem aparelhos de depilar que deixam a pele perfeita, shampoos que tornam o cabelo macio e sedoso, cremes que eliminam toda a celulite (quem achar algum que funcione, peloamordedeus me dê a dica...), refrigerantes que fazem seu dia ficar milagrosamente perfeito, etc, etc, etc...
Quando eu era criança, quase morri tentando transformar salsichas em S, como mostrava em uma determinada propaganda. Minhas brincadeiras com as bonecas nem de longe eram perfeitas como as das meninas na televisão - e me frustrei diversas vezes por não poder comprar a boneca X ou Y.
Somos seres incompletos por natureza, e conscientes de nossa incompletude, diria Paulo Freire. Isso é bom, porque nos incentiva a estudar, aprender. Porém, por outro lado, talvez nunca nos sentiremos bons o suficiente. Prova disso é que os índices de pessoas com depressão aumentam constantemente. Pena que o photoshop não funcione na vida real...

Sanduíche do McDonalds - propaganda x realidade.
Disponível em: .


Com photoshop x sem photoshop
Imagem da net